O aumento das recuperações judiciais no Brasil tem sido relacionado a um cenário econômico marcado por juros elevados, restrição de crédito e maior dificuldade das empresas para refinanciar suas obrigações.
Entre os fatores que podem contribuir para o agravamento da situação financeira das empresas estão o aumento do custo do capital, a dificuldade de rolagem de dívidas, a pressão cambial, a elevação dos custos operacionais e a deterioração do fluxo de caixa.
Nesse contexto, a recuperação judicial surge como instrumento destinado à reorganização de empresas que já enfrentam situação de crise econômico-financeira, permitindo a negociação coletiva de obrigações e a estruturação de medidas voltadas à continuidade da atividade empresarial.
Segundo os dados apresentados, em 2025 foram registrados 977 processos de recuperação judicial, representando o maior volume desde 2016.
Considerando os CNPJs envolvidos nesses procedimentos, foram contabilizadas 2.466 empresas, número 13% superior ao registrado no ano anterior.
Os dados evidenciam um ambiente empresarial de maior pressão financeira, especialmente para companhias que dependem de crédito para manutenção das operações ou refinanciamento de passivos.
Sob o aspecto jurídico, a recuperação judicial não representa a origem da crise empresarial. O procedimento é utilizado após o surgimento das dificuldades econômico-financeiras, com a finalidade de organizar coletivamente o passivo e permitir a apresentação de medidas de reestruturação.
A Lei nº 11.101/2005 busca proporcionar condições para a superação da crise do devedor, preservando, quando possível, a atividade produtiva, os empregos e os interesses dos credores.
Dessa forma, o crescimento dos pedidos de recuperação judicial deve ser analisado em conjunto com fatores econômicos que afetam a capacidade de financiamento e geração de caixa das empresas, especialmente em períodos de crédito mais caro e maior dificuldade de acesso a novos recursos.
Fonte: Migalhas
Link: Migalhas — “Recuperação judicial e juros altos: uma relação frequentemente mal compreendida”.


