O número de empresas em recuperação judicial no Brasil atingiu o maior patamar da série histórica do Monitor RGF-BIZDOC, iniciada em 2023.
Ao final de junho de 2026, 6.341 empresas estavam em recuperação judicial na base restrita do levantamento, que desconsidera microempresas, filiais e negócios inativos. O estoque apresentou crescimento de 6,2% no primeiro semestre do ano. Considerando a base completa, que reúne todos os CNPJs com registro de recuperação judicial, a alta chegou a 8%.
Os dados indicam que o cenário de dificuldades econômico-financeiras continua atingindo empresas de diferentes portes e setores, embora o crescimento das recuperações tenha apresentado desaceleração entre companhias maiores e avanço mais significativo entre micro, pequenas e médias empresas.
As falências também voltaram a crescer em 2026, após período de maior estabilidade no ano anterior. Entre os fatores associados ao cenário estão os juros elevados, o encarecimento do crédito e as dificuldades enfrentadas pelas empresas para renegociar dívidas acumuladas.
Sob o aspecto jurídico, o aumento das recuperações judiciais representa maior utilização dos mecanismos previstos na Lei nº 11.101/2005 para empresas que buscam reorganizar suas obrigações e preservar a continuidade de suas atividades diante de situações de crise econômico-financeira.
O levantamento também aponta diferenças relevantes entre os setores. O agronegócio aparece com 1.263 empresas em recuperação judicial, número 21,4% superior ao registrado no início do semestre e 66% maior na comparação de doze meses. Aproximadamente uma em cada cinco empresas em recuperação pertence ao agronegócio ou à sua cadeia produtiva.
Na construção civil, foram identificados 1.105 CNPJs em recuperação judicial ao final de junho, além de 179 empresas em situação de falência. O setor apresenta características distintas conforme a atividade desenvolvida, especialmente entre incorporadoras e empresas de construção.
Entre grandes companhias, a recuperação extrajudicial também vem ganhando espaço como instrumento de reorganização financeira, possibilitando negociações direcionadas a determinados grupos de credores e posterior homologação judicial quando preenchidos os requisitos previstos em lei.
Dessa forma, os dados referentes ao primeiro semestre de 2026 demonstram um cenário de elevada utilização dos mecanismos de insolvência empresarial no país, com recorde no número de empresas em recuperação judicial e retomada do crescimento das falências.
Fonte: Veja / Monitor RGF-BIZDOC

