JUSTIÇA ACEITA PEDIDO DE RECUPERAÇÃO JUDICIAL DE EMPRESA COM 11 MIL FUNCIONÁRIOS NO PR

Recuperação judicial do Grupo GTFoods foi deferida pela Justiça através da 3ª Vara Cível de Maringá na última sexta-feira (12)

A recuperação judicial do Grupo GTFoods foi deferida pela Justiça através da 3ª Vara Cível de Maringá na última sexta-feira (12) | Fabio Dias/Agência de Notícias Gazeta do Povo

Primeiro a Averama, de Umuarama (Noroeste), depois a Globoaves, de Cascavel (Oeste), e agora o GTFoods, de Maringá (Norte). Nos últimos três meses a crise no setor de aves já afeta ou ameaça 15 mil empregos diretos no Paraná. O número considera os postos de trabalho que foram eliminados ou que podem ser fechados nesses três grupos/abatedouros. Não está nesta conta o efeito colateral desse revés, com impacto em um ambiente econômico e doméstico que atinge outros milhares de pessoas, fornecedores e prestadores de serviços da cadeia de insumos, além dos produtores integrados ao sistema produtivo e à indústria.

O caso mais delicado, pelas cifras e pelos empregos envolvidos, veio à tona na semana passada, com o pedido de recuperação judicial do GTFoods. Detentor de várias indústrias e marcas no setor de alimentação, o grupo ganhou notoriedade nos últimos anos com uma estratégia agressiva de atuação e posicionamento no mercado. Foi então que o faturamento do grupo começou a dar saltos significativos. Saiu de R$ 1,18 bilhão em 2013 para R$ 1,84 bilhão em 2015. De janeiro a junho de 2016, faturou R$ 1,11 bilhão. Em apenas seis meses, um resultado equivalente a mais de 80% da receita obtida em 2013, com um endividamento na casa dos R$ 530 milhões versus o potencial de faturamento, uma relação que pelos números parece equilibrada.

Ou seja, pelo menos aparentemente o problema não está na capacidade de faturamento, mas de pagamento, condição primeira ao enquadramento no processo de recuperação judicial, que tem como objetivo evitar a falência de uma empresa. E se a questão não é necessariamente receita e sim fôlego para honrar suas dívidas, onde estaria o desequilíbrio? O motivo mais aparente seria a crise de escassez do milho, que elevou sobremaneira a cotação do cereal. Mas porque isso atinge o mercado de carnes? Porque 60% do custo do frango esta na ração, que tem o milho como principal matéria-prima. De 2015 para 2016, a cotação do cereal teve variação entre R$ 20 e mais de R$ 40/saca de 60 quilos.

A dívida do GTFoods então é grande. Mas também é relativamente baixa diante da receita consolidada e da previsão de faturamento para 2016. O alerta, no entanto, que vem da Averama, da Globoaves e da GTFoods não significa que o mercado está ruim. Ao contrário, o mercado vai bem, obrigado. Está passando por uma crise? Sim, está. Mas uma crise cíclica, comum à agricultura e pecuária, bem como a outros segmentos da economia. Não se pode ignorar que também há uma crise de planejamento da cadeia. Tem a ver com o milho, mas também com a gestão da atividade de aves, do sistema de produção da avicultura.

A falta de milho foi apenas o pavio de uma crise que tem a ver com falta de estratégia e visão integrada de toda uma cadeia produtiva. Não dá para produzir carne sem produzir milho. E se a produção de milho cresce, é porque cresce a produção de carnes – e também a exportação do cereal. A produção de carne precisa se proteger tanto quanto a produção de grãos. E o que não falta hoje são ferramentas para isso. Se não é possível limitar o custo de produção ou garantir a cotação da carne, é possível segurar o preço do insumo, no caso proteger o preço do milho de oscilações fora da curva. E quem tem que fazer isso não é apenas o produtor do milho, como também quem consome o cereal.

É preciso melhor organizar esse mercado. Uma responsabilidade pública e privada. Tem a ver com políticas públicas, mas também com planejamento e gestão, com a profissionalização do negócio. Se o Brasil é o maior exportador de frango do mundo e o Paraná é o maior embarcador do país, é porque evoluímos. Mas se ainda há problemas internos de liquidez do negócio, é porque precisamos evoluir mais e que essa evolução precisa ser constante.

A recuperação judicial do Grupo GTFoods foi deferida pela Justiça através da 3ª Vara Cível de Maringá na última sexta-feira. A decisão suspende, por prazo determinado, todas as ações e execuções judicias por parte dos credores do grupo. E também revoga o acautelamento do segredo de Justiça do processo.

Fórum de Agricultura

Não por acaso, produção de carnes será um dos temas em debate durante o Fórum de Agricultura da América do Sul 2016, evento que ocorre na próxima semana, em Curitiba. O setor será colocado em discussão a partir de um conceito sistêmico, de cadeia de produção, onde é a integração e a interação entre grãos e carnes é que vão garantir a sustentabilidade do negócio. Da produção ao mercado, especialistas vão mostrar como o Brasil se consolida como um dos maiores fornecedores mundiais de proteína animal. Eles vão abordar os desafios, políticos e econômicos, para ampliar o consumo interno e conquistar novos e grandes mercados internacionais.

Organizado pelo Agronegócio Gazeta do Povo e com a presença de representantes de mais de dez países, em sua 4ª edição o Fórum de Agricultura da América do Sul ocorre dias 25 e 26 de agosto, no Museu Oscar Niemayer. Informações e inscrições em www.agrooutlook.com

Fonte: Gazeta do Povo

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