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ENFIL PEDE RECUPERAÇÃO JUDICIAL

Por Rodrigo Rocha

Construtora voltada para a área de infraestrutura de saneamento e resíduos, a Enfil protocolou na noite de quinta-feira (4) pedido de recuperação judicial. A companhia negocia com seus credores uma dívida que ultrapassa os R$ 250 milhões.

A Enfil atua principalmente em obras para sistemas de tratamento de água e efluentes industriais e sistemas de controle da poluição atmosférica. Além das operadoras públicas de saneamento, a companhia também tem grandes clientes industriais privados, como Klabin, CSN e Gerdau.

Foi um cliente privado, a OSX Construção Naval, do empresário Eike Batista, o primeiro gatilho da crise. Após o investimento de R$ 50 milhões para construção de uma unidade que prestaria serviços ambientais, a Enfil viu seu desembolso se perder com a recuperação judicial da OSX, em 2013. “Ninguém está contratando, as obras estão mais escassas e os concorrentes se matam por um projeto. Então, são menos obras e com margens menores”, diz Douglas Duek, da Quist Investimentos, que trabalha em conjunto com a Dasa Advogados na montagem da recuperação judicial.

Em receita, a companhia viu o faturamento cair de R$ 337 milhões em 2010 para aproximadamente R$ 180 milhões no ano passado. A empresa inclusive tentou uma renegociação com os bancos para alongamento dos prazos de pagamento dos principais credores antes do pedido de recuperação, mas não obteve sucesso.

Santander, Itaú e Bradesco concentram dívidas de R$ 85 milhões, R$ 60 milhões e R$ 35 milhões, respectivamente. O remanescente é devido principalmente a fornecedores e impostos. “Na situação de hoje, a companhia não tem margem para fazer o trabalho dela e ainda pagar os bancos”, diz Duek.

Carlos Denezszuk, sócio da Dasa Advogados, destaca ainda que a Petrobras também é questionada judicialmente, devido a uma perda de R$ 69 milhões. Os recebíveis de ações judiciais somam aproximadamente R$ 100 milhões, mas a Enfil não conta com o recebimento desse montante no curto prazo.

Ainda não há detalhes de como será desenhado o plano, mas há estudos sobre o alongamento do prazo de pagamento e a possível entrada de investidores para apoiarem a operação. Após a concessão do pedido pela Justiça, a companhia terá dois anos para elaborar o plano de recuperação e obter aprovação.

Fonte: Valor Econômico.

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