AÇO CEARENSE REDUZ DÍVIDA EM R$ 1 BI

Por Marina Falcão

O grupo Aço Cearense, fabricante e distribuidor de aço, conseguiu um abatimento de mais de R$ 1 bilhão das suas dívidas com aprovação do seu plano de recuperação judicial. O passivo da empresa com os grandes bancos e fornecedores – caso de Usiminas – caiu de cerca de R$ 1,8 bilhão para R$ 800 milhões. O montante será pago em 15 anos.

O equacionamento da dívida deve dar fôlego ao grupo, que na área operacional vive um bom momento, de acordo com o empresário Vilmar Ferreira, presidente da empresa. Ele prevê um faturamento recorde de R$ 2,7 bilhão este ano, alta de mais de 22% em relação ao ano passado.

O lucro antes de juros e impostos, amortização e depreciação (Ebitda) deve alcançar cerca de R$ 270 milhões, alta de 35%, também um recorde na companhia.

Segundo Ferreira, as vendas tem sido impulsionadas pelo segmentos de aços longos, que estão com um bom preço no mercado internacional, enquanto no setor de aços planos, o desempenho tem sido “razoável”.

Após se endividar para fazer uma série de investimentos, como a construção da siderúrgica Sinobrás, no Pará, e a compra de uma participação de 1% na hidrelétrica de Belo Monte, o grupo foi abatido pela crise econômica em 2014. “A gente vinha acreditando, investindo alto, se endividando. Aí veio a Dilma”, afirma Vilmar Ferreira, fundador da empresa.

Em maio do ano passado, após três anos consecutivos de recessão econômica, a empresa entrou com pedido de recuperação judicial, assessorada pelo escritório Nunes, D’Álvia e Notari, de São Paulo. Os principais credores são os grandes bancos – principalmente o BTG Pactual – e fornecedores, entre eles a siderúrgica mineira. Juntos, concentram 75% do passivo da empresa.

Um ano e meio depois do pedido de recuperação, o plano foi aprovado por representantes de 54,3% do total dos créditos e 85% dos presentes em uma assembleia ocorrida no dia 9. Banco do Brasil, China Construction Bank, Itaú, Santander e Banco do Nordeste (BNB) votaram contra a aprovação, mas foram vencidos pela maioria favorável, que incluiu o BTG e a Usiminas.

A decisão da assembleia de credores é soberana. No entanto, há possibilidade de recurso do credores descontentes.

O empresário afirma que está com uma confiança modesta na retomada da atividade econômica a partir do ano que vem, quando assumirá o novo governo presidencial. Importador de cerca de 30% de aço plano (chapas e bobinas) que vende no país, o grupo Aço Cearense tem seu desempenho sempre bastante atrelado ao câmbio. “O que é melhor para gente é o que é melhor para o Brasil: um câmbio valorizado. Ajuda no controle da inflação e alivia a pressão sobre os juros”, afirma Ferreira. O ideal, diz o empresário, seria dólar abaixo de R$ 3,30.

O valorização do dólar frente ao real inibe as importações de aço por importadores locais.

Entre 2015 e 2016, o empresário demitiu 1.300 dos funcionários. Diz que recontratou 400 no ano passado, quando houve sensível reação do mercado no último trimestre. Após quatro anos consecutivos de queda na produção industrial de aço bruto no Brasil, 2017 apresentou um crescimento de 9,9%, em relação ao ano anterior.

No acumulado do ano, até setembro, há um crescimento de 2,5% na produção de aço bruto no Brasil, segundo dados do Instituto Aço Brasil. Diante do desempenho ainda tímido do setor, um novo aumento significativo no número de trabalhadores no grupo Aço Cearense deve ficar para 2020, diz Ferreira. No momento, o grupo emprega diretamente 3.769 e mais de 5.700, considerando também os colaboradores indiretos.

No ano passado, o grupo Aço Cearense registrou um prejuízo líquido de R$ 46 milhões, O resultado refletiu uma perda financeira R$ 210 milhões, fruto da variação cambial sobre dívida e das altas despesas da companhia com juros e encargos.

Segundo balanço, no fim do ano passado, a empresa tinha patrimônio líquido de R$ 90 milhões.

Fonte: Valor Econômico

 

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