Por Marcela Caetano

Em meio ao movimento da concentração das concessionárias de máquinas agrícolas, o Grupo Cotril, dono da Cotril Máquinas, entrou em recuperação judicial. Com atuação no Centro-Oeste, o grupo teve o pedido de proteção contra os credores aceito pela Justiça goiana este mês com dívidas de R$ 61,8 milhões. A empresa, contudo, estima que esse valor possa chegar a R$ 110 milhões.

Em entrevista ao Valor, o Cotril culpou o Banco CNH Industrial Capital, da CNH Industrial – dona da marca New Holland, da qual o Cotril é concessionária -, pelas dificuldades financeiras. “O banco passou a interferir nas relações comerciais, bloqueando transações e negligenciando análises de crédito”, disse Douglas Duek, CEO da Quist Investimentos, que assessora o Cotril com a Dasa Advogados. Segundo ele, o grupo deve R$ 2 milhões ao banco ou 3,2% do total. O débito com credores quirografários – sem garantia – representam 76% do total aprovado pela Justiça. Em nota, a CNH contestou as informações. A companhia alegou que o banco “não mediu esforços para viabilizar negócios” com clientes da concessionária e que há dez anos o Cotril renegocia dívidas com o banco da CNH.

A concessionária de máquinas agrícolas responde por 90% do faturamento do Cotril. O grupo também atua na locação de máquinas, pecuária e em nutrição animal.

De acordo com o assessor do Cotril, a dívida chegou a ser de R$ 300 milhões há dois anos. Ao longo do tempo, porém, grupo vendeu parte do rebanho bovino que mantinha em um confinamento em Goiânia.

Segundo Duek, da Quist Investimentos, o grupo chegou a ter 1 milhão de cabeças, mas hoje tem menos de 30 mil. “Agora, o plano é buscar injeção de capital para que seja possível quitar os débitos a partir do crescimento da empresa”, afirmou.

As dificuldades do Cotril ocorrem na esteira das fracas vendas de máquinas em 2016 e 2017, o que tem provocado a aquisição de concessionárias no Sul e CentroOeste.

Fonte: Valor Econômico