Por Alistair Gray

A varejista de moda Forever 21, que fez grande sucesso entre mulheres jovens com suas mudanças constantes nas vitrines e baixos preços, entrou com pedido de recuperação judicial, afetada pela intensa concorrência e pela própria agressividade em sua expansão mundial.

Depois de semanas de dúvidas quanto ao seu futuro, a empresa californiana anunciou na noite de domingo planos para fechar até 350 de suas 800 lojas no mundo, como parte de um processo de reestruturação sob o capítulo 11 da lei americana de falências.

A notícia é mais um golpe para shopping centers pelo mundo, já afetados por uma onda de quebras de varejistas. Pelo plano, devem ser fechadas 178 lojas da Forever 21 nos Estados Unidos e a maioria dos pontos de venda na Ásia e Europa.

A rede, de capital fechado, foi fundada em 1984 pelo casal Do Won e Jin Sook Chang, imigrantes sul-coreanos que abriram sua primeira loja em Los Angeles, nos Estados Unidos.

A Forever 21 tornou-se popular entre adolescentes e mulheres jovens em busca de artigos de moda a bons preços – o que a fez se expandir rapidamente.

Além de suas lojas imensas, a rede ficou conhecida por detalhes como as passagens bíblicas impressas nas sacolas de compras, refletindo as crenças cristãs da família. Também não costumava fazer ofertas especiais aos clientes, com base na estratégia de “o primeiro preço deve ser o preço adequado”.

Mais recentemente, a Forever 21 perdeu terreno para concorrentes como H&M e Primark, e seu estilo de moda foi perdendo a preferência do público. Consumidores preocupados com o ambiente também passaram a questionar cada vez mais a sustentabilidade do segmento chamado “fast fashion” [que prevê uma grande rotatividade de coleções], em que está a Forever 21.

“Nesse pano de fundo, a Forever 21 acabou deixando a desejar”, disse Neil Saunders, diretor-gerente da empresa de consultoria GlobalData Retail.

O consultor também destacou problemas com as margens de lucro, que já eram estreitas e se tornaram ainda mais apertadas com as operações on-line e as lojas físicas “extraordinariamente grandes”. “Quando as vendas pioram, isso significa que o modelo se torna deficitário”, acrescentou Saunders.

A Forever 21, que ainda pertencente à família Chang, informou em comunicado que espera “voltar ao básico que permitiu à empresa prosperar e tornar-se líder do mercado ‘fast fashion’.”

“Esse foi um passo importante e necessário para garantir o futuro de nossa empresa”, disse Linda Chang, vice-presidente executiva e filha dos fundadores.

A Forever 21 ressaltou que a localização das lojas dos EUA que serão fechadas ainda não foi definida e que isso vai depender de “conversas com os proprietários” dos imóveis. A empresa não respondeu de imediato quantos empregos estão ameaçados.

A companhia comunicou que o plano é ter foco no “núcleo lucrativo” e manter certa presença nas cidades americanas nas quais já opera. Também informou que vai manter as operações na América Latina.

O anúncio se soma à crescente lista de recuperações judiciais vistas neste ano nos EUA, como a da loja de departamento de luxo Barneys New York e a Diesel USA. No total, varejistas americanas anunciaram o fechamento de cerca de 8 mil lojas neste ano, segundo a Coresight Research.

Para ajudar a rede a continuar operando durante a reestruturação, os credores da Forever 21, liderados pelo JP Morgan Bank, aceitaram conceder um financiamento de US$ 275 milhões, enquanto a TPG Sixth Street Partners vai injetar US$ 75 milhões.

Fonte: Valor Econômico