Por Taís Hirata

O grupo Rodrimar, operador no porto de Santos, entrou em recuperação judicial, na terça-feira (4), com objetivo de reestruturar dívidas de R$ 50 milhões. Os principais credores são o banco Itaú e a Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp). A recuperação judicial inclui todas as divisões do grupo: a Rodrimar Terminais, Rodrimar Transportes, Marítima Eurobrás e Eurobrás Logística Aduaneira.

Em seu pedido, protocolado na terça-feira da semana passada (28), a companhia afirma que vem sofrendo com a perda de clientes importantes, a redução da demanda em seus terminais portuários, com o “aumento desenfreado” de custos por conta da crise econômica e a dificuldade de obter financiamento bancário. A empresa alega ainda “concorrência predatória influenciada aos concorrentes praticada pela Codesp”.

Além da dificuldade econômica, o grupo é alvo de investigação por supostamente ter pago propina ao ex-presidente Michel Temer pela edição do Decreto dos Portos, em 2017. A empresa e Temer têm negado as acusações.

A situação da Rodrimar se agravou nas últimas semanas. Um dos principais credores, o banco Itaú, conseguiu na Justiça a execução de garantias de uma dívida com o grupo. Os débitos eram garantidos por equipamentos, como guindastes, que são essenciais para a operação da empresa.

Além disso, há uma pressão grande por parte da Codesp pelo pagamento de dívidas, segundo representantes do grupo. A autoridade portuária calcula que a Rodrimar deve R$ 25 milhões por atrasos no pagamento como arrendatária e operadora — no entanto, a expectativa da Codesp é que essa dívida seja extraconcursal e não esteja sujeita à recuperação judicial.

Há também dívidas trabalhistas pendentes. Nos últimos meses, foram demitidos 235 funcionários da companhia, segundo Everandy Cirino dos Santos, presidente do Sindaport. “Não havia dinheiro para as rescisões e a categoria concordou em receber de forma parcelada, mas a dívida não foi quitada. Ainda restam R$ 5 milhões a serem pagos. A parcela que deveria ter sido paga no último dia 5 [esta quarta] não foi depositada”, afirmou o sindicalista. Segundo o presidente do Sindaport, a empresa negocia a venda de bens para quitar esse valor restante.

Fonte: Valor Econômico