Por Camila Souza Ramos | Valor

SÃO PAULO – O tumultuado processo de recuperação judicial da Renuka do Brasil, que já se estende há quase três anos e ainda sem uma definição, ganhou novos capítulos nos últimos dias. Uma hora antes do jogo do Brasil contra a Sérvia na Copa do Mundo e apenas um dia antes da assembleia de credores que votaria o novo plano de recuperação judicial, a companhia protocolou na Justiça uma nova proposta para aplacar o descontentamento de bancos e fornecedores, que ameaçavam vetar o plano anterior.

Um dos pontos do plano apresentado anteriormente que estava gerando alvoroço era previa a “hibernação” por três anos da Usina Madhu, localizada em Promissão (SP). A oposição mais firme surgiu entre fornecedores da região, que estão com cana em pé em suas lavouras e temiam ter que recorrer a usinas distantes para garantir alguma renda no período em que a unidade ficasse parada. Esse grupo começou a militar pela decretação da falência da companhia, acreditando que poderia assumir a operação da usina com a medida, segundo fonte envolvida nas negociações.

Além disso, a proposta também gerou indignação entre os políticos da região por causa do efeito recessivo que a medida causaria na economia local, com redução de arrecadação de impostos e desemprego, conforme apurou o Valor. Atualmente, a Renuka do Brasil emprega cerca de 3,5 mil trabalhadores nas duas usinas. Em seus tempos áureos, a companhia já teve cerca de 6 mil funcionários.

O novo plano apresentado nos “45 do segundo tempo” mantém a proposta de venda da Usina Revati, em Brejo Alegre (SP), e prevê que a Renuka do Brasil arrende os equipamentos ou toda a Usina Madhu para o comprador da primeira, ou ainda para outro interessado, mantendo-a em operação.

Também passou-se a prever a possibilidade de os credores participarem do leilão através da conversão de créditos em participação. Essa possibilidade atende uma reivindicação dos bancos para dar valor econômico aos créditos. Segundo uma outra fonte a par do assunto, há bancos que podem se interessar em vender seus créditos para investidores potenciais na Usina Revati.

A participação de investidores que já haviam se habilitado para participar do leilão da unidade deve ser mantida, segundo uma fonte. Além da gestora de fundos americana Castlelake, um fundo abutre também habilitou-se para dar lance no leilão. Trata-se de uma sociedade constituída nos Estados Unidos sob o nome “Brazil S&E” gerida por fundos administrados pelo Citigroup e pela gestora de fundos OnePartners.

Uma terceira modificação relevante no novo plano prevê que a proposta vencedora do leilão precisará passar pelo crivo dos credores. O objetivo é evitar lances muito baixos, que não sejam capazes de garantir à Renuka do Brasil o pagamento dos credores. Atualmente, a dívida da companhia ultrapassa os R$ 3 bilhões.

No último dia 28, os credores reunidos em assembleia decidiram suspender o encontro para avaliar o novo plano. Agora, eles terão até o dia 19 de julho para avaliá-lo e votar pela sua aprovação ou pela falência da companhia.

Fonte: Valor Econômico