Por Chiara Quintão | Valor

SÃO PAULO – O plano de recuperação judicial da Eternit — conhecida pelas telhas de amianto e pela extração do mineral crisotila — abrange créditos de cerca de R$ 250 milhões e mais de 2 mil credores. segundo informou ao Valor o presidente da Eternit, Luís Augusto Barbosa, há expectativa que o plano seja aprovado rapidamente. “Fizemos um plano bem realista. Tentamos atender, da melhor forma possível, as expectativas dos credores”, afirma o executivo.

Do quadro geral de credores, constam os seguintes valores: R$ 578.778,43 para a Classe I, R$ 36.225.174,33 para a Classe II, R$ 174.170.287,62 e US$ 7.970.817,89 para a Classe III e R$ 4.461.662,02 para a Classe IV.

O plano só prevê possibilidade de desconto para pagamento da classe III, a de credores quirografários (sem garantia). “Há uma opção sem corte, com prazo de pagamento mais longo, e outra com desconto e prazo menor”, diz Barbosa.

O pagamento da classe I (trabalhista) é de 12 meses. Na classe II (com garantia real), há apenas um credor, do segmento financeiro, que financiou a fábrica de polipropileno (matéria-prima sintética para telhas de fibrocimento) em Manaus. Parte dos créditos está denominada em dólar por se referir a financiamento para equipamentos importados. As dívidas com a classe IV, de micro e pequenas empresas, serão pagas em até 18 meses.

O valor do aumento de capital previsto no plano de recuperação judicial dependerá das necessidades de investimento da companhia, segundo Barbosa. “Nossa primeira preocupação é aprovar o plano. Sem isso, dificilmente, vamos abrir novas linhas de crédito”, diz o presidente da Eternit. Os recursos da capitalização serão destinados a investimentos em expansão, diversificação e modernização das atividades da companhia, além de capital de giro.

Os atuais acionistas terão direito de subscrição dos papéis. O que não for subscrito será direcionado para credores trabalhistas que tiverem interesse em converter dívida em ações. Esses credores deverão integralizar as novas ações com créditos remanescentes trabalhistas.

Segundo o presidente da Eternit, há bancos não credores da companhia dispostos a oferecer linhas de crédito para a companhia assim que o plano for aprovado.

A Eternit está confiante na melhora dos seus resultados no segundo semestre, de acordo com Barbosa. Há expectativa de melhora dos resultados da controlada Sama Minerações Associadas, das vendas de telhas de fibrocimento e da unidade de louças sanitárias. “Para o negócio de mineração, as vendas são melhores no segundo semestre”, diz Barbosa. Além disso, ressalta o executivo, o câmbio atual favorece as exportações de amianto pela Sama.

Segundo presidente da Eternit, começa a haver melhora na demanda por fibrocimento, e as mudanças no portfólio de louças sanitárias já se refletem nas vendas do segmento.

No primeiro trimestre, a companhia teve prejuízo de R$ 11,138 milhões, valor 3,71 vezes maior do que o do mesmo período de 2017. A receita líquida caiu 22,9%, para R$ 129,227 milhões.

De acordo com Barbosa, os resultados foram impactados pela instabilidade resultante da substituição do uso de amianto por fibras sintéticas na produção de telhas de fibrocimento. No segundo trimestre, esse processo foi estabilizado, mas o desempenho da Eternit teve impactos negativos da greve dos caminhoneiros.

Fonte: Valor Econômico